Bem vindo à Brisa da Poesia!

Espargindo fragrância nas mal dedilhadas letras, levo até vocês, uma amostra tecida no rude tear da minha poesia! Espero que o pensamento exteriorizado nos meus versos leve até vocês momentos de deleite e emoção!
Abraços poéticos, Armando A. C. Garcia
São Paulo, 06/08/2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quantas vezes !...


Quantas vezes !...


Quantas vezes caminhais
Caminhais por caminhar
No caminho não ajudais
Vosso irmão a se amparar


Quantas vezes vós passais
Indiferentes a tudo
E um óbolo, vós não dais
Ao que tem falta de tudo


Quantas vezes impassíveis
Fingis não ver a desgraça
Julgais-vos seres intangíveis
Aflições ... qualquer um passa


Quantas vezes desperdiçais
A prática da caridade
E sentimentos sufocais
Por falta d’afetividade


Quantas vezes ironizais
De vosso irmão desvalido
Entretanto não abnegais
Do bem-estar consentido


Quantas vezes nesta vida
Atrás de coisas falsas, correis
Tateando ambição desmedida,
Trocais tudo, por mil reis


Quantas vezes vacilais
Se em posição elevada
De vosso irmão não lembrais
E o retalhais na espada !


São Paulo, 31/08/2011
Armando A. C. Garcia


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Oh! Ilusão...


Oh! Ilusão...

Ilusão, tu que povoas
Tu, que povoas as mentes
Com milhões de coisas boas
Mas nada dás, ao que as sente

Ilusão... Oh! Ilusão...
Porque não ficas ausente
Lanças esperanças em vão
No imo de toda a gente !

Tua perfídia é tenaz
Nos desenganos da vida
A ilusão consentida
É da mesma dependente

Impassível ao nosso fado
Na onda tu, nos embalas
Sem limites ao bem sonhado
Na aspiração nos igualas

Nossa avidez imoderada
Cobiça de pretender
A utilidade não alcançada
Nos contornos do viver

Desejos mil, aspirações
Na realidade impossíveis
Tu, dás-nos nas ilusões
As cismas de todos níveis

Dás-nos ouro, pedrarias
Afeto, amor e carinho
Indústrias e pradarias
Largas visões do caminho

Ilusão... Oh! Ilusão...
Tu, que povoa a mente
Lanças esperanças em vão
No imo de tanta a gente !

São Paulo, 31/08/2011
Armando A. C. Garcia


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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Como o fogo ! ... (Soneto)

Como o fogo ! ...


Como o fogo e a água dão têmpera ao aço
O tempo nos dá a mesma consistência
Na vida a têmpera é moldada no espaço
Que cada um consegue na experiência

Quem não tem experiência, não tem passado
E quem não tem passado, não tem vivência
Sua têmpera está como ferro não malhado
Que o ferreiro leva ao fogo com paciência

Deixa a vida moldar-te com o mesmo banho
Com que se temperam os metais e o rijo aço
Verás então tu, quão grande é o tamanho

Da experiência, do passado e da vivência
E dar-lhe-ás o merecimento que encerra
Valor que hoje olvidas, pela ausência !


São Paulo, 29/08/2011
Armando A. C. Garcia

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

À luz da verdade (Soneto)

À luz da verdade


À luz da verdade, desperta, desperta!
Não sejas eterno escravo de ti mesmo
Percorre teu próprio caminho, alerta!
Quer na felicidade, na dor, ou a esmo

A razão está adstrita* ao tempo e ao espaço
E, nenhum abismo errôneo se levanta
Senão sob uma falsa base, ou falso passo
Os prazeres, são passageiros, a vida é santa

Penetra fundo no legado do Criador
P’ra encontrar o caminho reto, verdadeiro
Qual espada de fogo cingindo** o amor

Dar o primeiro passo, não é difícil
Os demais suceder-se-ão ao primeiro
Num despertar, gracioso e senhoril

São Paulo, 25/08/2011
Armando A. C. Garcia


*limitada; ligada
**rodeando; cercando

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Extrema Razão (Soneto)

Extrema Razão



A alegria da vida, a pouco e pouco se esvai
A cerviz vai-se curvando para o chão
Em lânguido* delíquio,** extrema razão
Enverga-se a fronte e a cortina cai

O corpo, já exangue caminha arrastado
O que foi viço, força, pura energia
Hoje, perdeu o galardão e a guia
Vive, sem ânimo, à natureza prostrado

E, sem lamentos a esta desventura
Sofre lívido nas garras do seu fado
O que o destino reserva à criatura

Só peço ao Arquiteto do Universo
Na amplidão deste soneto mal traçado,
Dê sentido e razão a este meu verso !

Porangaba, 17/08/2011
Armando A. C. Garcia

*abatido;debilitado
** desfalecimento; síncope

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Na Batalha do Mundo !

Na Batalha do Mundo !

Como um leão na batalha do mundo
Transpus florestas, à noite e sob sol
Visto a túnica da poesia, amor profundo
Desdobro do azul do céu o arrebol

Minha existência inteira tento poetar
Não sob protesto fútil, ou sentimental
Venho expondo diferença entre o bem e o mal
Mesmo que com isso possa desagradar

Eu sinto e vivo o que todo homem sente
De bardo*, sou um bacharel formado
Embora às vezes saíam como dum tornado
Frases do vernáculo, veneno de serpente 

Noites de procela*, e dias de amargura
Numa rua escura, ou num amor candente,
Nos vagalhões do mar ou no sol ardente
A alma do poeta veste rija armadura

Extrai da pedra bruta ou da flor o viço
O néctar e o perfume do amor-perfeito
A alquimia*** do poeta sempre dá um jeito
Até p’ra tirar das abelhas o mel no cortiço

No topo da montanha, ou no sopé do vale
Nas asas de um arcanjo, ou no poder do mal
Em jardim florido, ou extenso seringal
A inspiração do poeta.  É sempre igual !

Porangaba, 17/08/2011
Armando A. C. Garcia      *poeta
  ** tempestade
                                                           *** práticas químicas
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terça-feira, 16 de agosto de 2011

VOLÁTIL QUIMERA (Soneto)

VOLÁTIL QUIMERA (Soneto)


Aprisionado pelas dores, pela amargura
Coração em desalinho e desventura
Minha alma esfacelada, já em pranto
Sem alento, carpia o desencanto

Tu surgiste em minha vida dando alento
Qual flor que desabrocha na primavera
A beira de um regato calmo e lento
Semente surgida de volátil quimera

E despontando, qual sol em minha vida
Em ti, me vejo feliz e esperançoso
Liberto da amargura desvalida

Em teus braços o acalanto querida
Que tanto afeto trouxe ao desditoso
Foi um lenitivo, à alma desiludida.

São Paulo, 29/07/2008
Armando A. C. Garcia


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VISÃO DO FUTURO

VISÃO DO FUTURO

Avancei minha janela do tempo,
Projetei minha visão no futuro !
Visualizei não um mero passatempo...
Mas sim um porvir ainda muito duro !

Não foi bom ter ultrapassado a janela
O preço que se paga pela inobservância
Às regras imutáveis de nossa estrela
É um pesadelo na alma, que causa ânsia.

Significou minha grande decepção
Ter cruzado as fronteiras invisíveis
Quisera eu, não tê-las ultrapassado.

Teria afastado este fantasma do meu lado.
É no que dá, querer metas impossíveis...
Carregar medo e uma grande frustração.

São Paulo, 19/05/2005
Armando A. C. Garcia

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VIDA INDEFINIDA (Soneto)

VIDA INDEFINIDA (Soneto)

Muito inconformada e descontente
Caminhava pela vida indiferente
Seu refúgio e, também seu confidente
Era o pastor de uma igreja de crente

Na sua trajetória indefinida
Não sentia gosto, ou gozo pela vida
Sentindo a batalha já perdida
Capitulou entregando-se, vencida.

Mas eis que, certo dia despertou
Olhando o céu, viu nele alegria
E à noite, quando o sono apertou,

Fez uma prece a Deus e a Maria
E orando, a ambos suplicou
- Novo caminho. Surgiu n`outro dia !

São Paulo, 03/08/2008
Armando A. C. Garcia

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VIDA ERRANTE... (Soneto)

Vida Errante...


Hoje, percorre os lupanares da vida
Como torpe barregã, anda perdida
E assim vai passando de mão em mão
Purgando as penas da sua traição

Trocou a vida pacata e o marido
Abandonou o fruto concebido
Para correr atrás duma aventura
Aquela que lhe traria amargura

Ultrajou o lar, com seu louco intento
Como se não tivera algum merecimento
- Agora expia a traição perpetrada

Andando de mão em mão e enjeitada
Geme a alma à constrição do tormento
E o coração sofre, num vil lamento !

São Paulo, 27/01/2011
Armando A. C. Garcia


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VENTURA OU MORTE ! (Soneto)

VENTURA OU MORTE !

Se sentimentos de amor por mim pretendes
Podes vir, qualquer momento, qualquer hora...
Estou aqui p’ra te servir, minha senhora !
No amor especial que tu me rendes.

Se a pretensão, foi maior que teu desejo
Perdoa a falta de modéstia minha
Pois quem muito ama, às vezes descaminha
Perdendo no caminho a ternura, o ensejo

Cai a esperança, no caminho é perdida
A emoção, sonhos acabam de morrer
Retenho a posse em mim, nunca abatida

De um dia poder pela esperança e sorte
Beijar a boca que tanto me fez sofrer
Fulminante desejo, ventura ou morte !

São Paulo, 06/02/08
Armando A. C. Garcia

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Vã Promessa (Soneto)

Vã Promessa

A tua vã promessa, afasta-a de minha alma
Chão de terra nua, é mais límpido que tu
Devoras com o gume afiado de tua palma
Cada instante, cada lembrança e o sonho nu

Na memória teu enleio, rondou à porta
Da minha felicidade, hoje *rebotada
É ventura que nenhum sabor comporta
Fruta caída ao chão, sem viço, apodrecida

Do teu jardim de amor, aqui me despeço
Embora minha alma fique estremecida
Paguei neste infortúnio elevado preço

Afasta do rosto a visão dos teus sentidos
Tanto aquém da morte, como além da vida
Hoje, vejo em tudo, sentimentos perdidos !

São Paulo, 12/04/2010
Armando A. C. Garcia
*repelida; rechaçada


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UMA A UMA... (Soneto)

UMA A UMA ...

Lentamente iam caindo, uma a uma
As palavras de um poema de amor
Na tela, uma linda cena de amor...
Fiquei aturdido, sem razão nenhuma !

Imaginar, jamais pudera esperar
Que da arte dos engenhos mais perfeitos
Sua obra mostrasse os grandes feitos
De tão longe, ficar perto para amar!

E se assim me foi dada tal ventura,
Não poderei deixar de ter a vã esperança
De em meus braços um dia receber

Caindo uma a uma da mesma altura
Todo amor, toda a bem-aventurança
Pois o doce amor é a causa de viver

São Paulo, 19/11/2004
Armando A. C. Garcia


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Tua fragrância (Soneto)

Tua fragrância (Soneto)

A fragrância que teu corpo ao mundo exala
Qual gota de sândalo, idéia de vida
Este *bardo, transporta ao sonho que embala
Se é cedo morrer; que importa a partida

Deixa-me sorver no sonho da existência
O bálsamo ardente, magistral conforto
Entre dois sonhos, a virtual coerência
Que vigora e aviva a imortal saudade

A vasta imensidade, as vistas cegam ...
Ó amor, porque não curas a saudade
Desfaz-se o alento, as nuvens carregam

E em vão imploro a tua vontade
Momentânea ilusão os olhos me pregam
Condição perjura, se fosse verdade

São Paulo, 12/01/2010
Armando A. C. Garcia

* poeta; vate; trovador


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TUA FIGURA !... (Soneto)

TUA FIGURA !...

Eficiente recanto de ternura
Onde a minha alma à tua se emoldura
Imprescritível será tua figura
Predeterminação que tanto dura

Vão-se os sonhos, o amor perdura
Sucumbe a ilusão, ante a ventura
Nas asas d’esperança não há amargura
Ela não cansa, nem cede à pisadura

E à luz de novos reflexos, lá na altura
Envia à terra o brilho de uma pintura
Onde espelha sua rutilante figura

No absconso* de seus sentimento jura
Amor eterno isento de censura
Até à imortal glória da sepultura.

São Paulo, 02 de outubro de 2008
Armando A. C. Garcia
                                       
* escondido; secreto

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TRISTE ESPERANÇA! (Soneto)

TRISTE ESPERANÇA !


Na praia, a onda quebra na areia mansa
Arrastando com ela pequeninos grãos
Apagando tuas pegadas, e a lembrança
Onde caminhamos entrelaçando as mãos

A areia volta e revolta, tu, jamais...
Fico imaginando ver-te a meu lado
O marulho das ondas, sufoca meus ais
A noite avança em seu curso talhado

Se ver-te era esperança, perverso pecado
O céu rutilado, cravejado de estrelas
Parece mandar-me um triste recado

O último adeus, nas estrelas gravado
Eu, perdido, abalado, quais caravelas
Nas ondas bravias do mar agitado

São Paulo, 10/06/2008
Armando A. C. Garcia


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Declamei este Soneto no auditório Prestes Maia,
da Câmara Municipal de São Paulo, no dia 12/06/2008, na Consagração da União do Movimento Poético em São Paulo da Casa do Poeta - Ao Movimento Poético Macional,
bem como o Soneto - Passe ao Lado 

TRÁGICO AMOR!

Trágico Amor !


Desfraldavam-se os últimos raios da lua
Nas negras pedras da calçada da rua
E a madrugada se antepunha à noite fria
Em alguns instantes mais, seria dia.

No prenúncio do dia, os galos cantavam
E os agricultores já se levantavam
Porém, numa casa, o amor era esperado
A vigília da noite, o deixa transtornado

Empunha o revólver, aponta na cabeça
Ouve um estampido, e seu corpo tomba
É socorrido, p’ra que o pior não aconteça

No quarto do hospital, vai ficar ao lado
Da também inconsciente que esperava
Vítima de acidente no trajeto inacabado !

São Paulo, 14/11/2009
Armando A. C. Garcia

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TEUS LÁBIOS ÁVIDOS ! (Soneto)

TEUS LÁBIOS ÁVIDOS !


Sonhei que era feliz, que tu me abraçavas
Teus lábios ávidos de amor em mim colavam
Que bebia o néctar libado e espumavam
Nossas bocas na fantasia que criavas

Vão contentamento, vil ventura a minha
Só te possuo em pensamento nos meus braços
Em sonhos e suspiros de curtos espaços
Quando ausente de meus sentidos, és rainha

Ao meu áspero destino doloroso e triste
Inda vens dar azo à minha fantasia
Dos dias dolorosos que partir me viste

Onde jaz minha mocidade, minha alegria
Cobriste às margens do Douro, em sepultura
Meu amor, meus sentidos, minha estesia !

São Paulo, 04/02/2008
Armando A. C. Garcia

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TEMPO LISONJEIRO ... (Soneto)

TEMPO LISONJEIRO...

O tempo passou rápido lisonjeiro
Murchando esperanças e paixões
O desengano foi o porto derradeiro
Sem recompensas e cheio de ilusões

Na estrada longa, na dura caminhada
O coração me indaga a quer saber
A fuga do meu eu, cinzas da jornada
Encanto, desencanto onde estiver

Sentimentos de tristeza e afeição
Misturados no pincel da fantasia
Rendidos ao desejo e à ambição

E no silêncio recôndito de minh´alma
Depositei as esperanças que porfia
Para que o sonho repouse em vida calma!

São Paulo 07/12/2005
Armando A. C. Garcia


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TANGENDO A ILUSÃO ! (Soneto)

Tangendo a ilusão !


Transcorre a noite no silêncio sideral
Fecho os olhos surge tua imagem astral
Meu pensamento reflete a fantasia
Do primeiro encontro, do primeiro dia

O psique que abarca os sentimentos
Cognitivos* da vontade e dos momentos
São a fiel supremacia da razão
Aquela que emana tangendo o coração

Ternos desejos sequiosos a vista cegam
E teus rubros lábios sedentos não negam
No sorriso que se misturam à sedução

O anseio que mora em teu peito amante
É fogo em ebulição em todo teu semblante
E inflama os vôos de meu pobre coração !

São Paulo 22/07/2009
Armando A. C. Garcia

* Relativos ao conhecimento 


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SUTILEZAS... (Soneto)

S u t i l e z a s...


Verdadeiramente a sutileza da vida
De lauréis de angustias e contrastes
Onde lindas esperanças dão guarida
Alucinantes dores a grandes hastes

Mas sabendo realmente nesta vida
Que os acúleos espinhos nesta liça
Servirão de estimulo sem cobiça
Às paixões da estrada consumida

Veremos quanto a alma avança na subida
Sob o peso excelso da lágrima dolorida
Bendizendo o madeiro que carrega

Na íngreme escalada para o monte
Mesmo que o suor lhe banhe a fronte
Acrisola a dor que pelo amor relega.


1974

Armando A. C. Garcia 


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SURDOS AIS... (Soneto)

Surdos ais...



Tácito desejo devora meu coração
Só recobrando o alento na saudade
Tormento que me sufoca e invade
A minha alma sedenta de paixão

Surdos ais que de amor por ti suspira
A lembrança fruto da imaginação
Sofre o sacrifício com resignação
Nas cevas do mal d’tua irônica ira

Tive a esperança seca, consumida
Prova rígida de minha desventura
Sorvi o fel na taça da amargura

Louco furor da juventude na vida
E tu, a quem tanto amei nessa loucura
Hoje sarcófago de minha sepultura !

São Paulo 21/07/2009
Armando A. C. Garcia


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SORRISOS ! (Soneto)

SORRISOS!


Por mais que raro seja o meu sorrir
De quem viveu contente certo dia
Breve tempo de bem-aventurança
O sorriso passa e a gente não alcança

A boca, não está mais acostumada
Não tendo mais a vida desejada
E sendo em mim, constante o sofrimento
Voltar a sorrir é coisa que tanto tento

Se contudo minha alma se conforma
Falta nela a forma do teu sorrir
Mas como tudo, no mundo se transforma

Quem sabe um dia, volte de novo a sentir
E aquilo que hoje o coração não sente
Seja no amanhã um sorriso, sorridente.!

São Paulo, 19/05/2005
Armando A. C. Garcia


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SONHO E FANTASIA (Soneto)

 SONHO E FANTASIA

Em sonhos divaguei na poesia
Mansa e serena, branda e fria
Mil vezes te beijei, te possui
Vi em teus olhos, o que jamais senti

Quando entre nós a sombra se escondia
E a rósea nuvem nos céus aparecia
Comecei a devorar-te no sonho insano
Com a alma sedenta, o corpo ufano

Tuas faces gentis, o olhar fulgente
O veneno fervia, o sangue, corria quente
Um suspiro, antepõe-se ao ato de ternura

Tuas faces vertem lágrimas de ventura
Os rubros lábios de onde o amor pendia
Renderam-se afinal ao amor e à magia!

São Paulo, 08 de junho de 2006
Armando A. C. Garcia


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SEU NOME... CARIDADE (Soneto)

SEU NOME ... CARIDADE


Sua alma taumatúrgica* de bondade
Levava à desventura o conforto
E ao obnubilado** semi morto
Lavava a alma com sua caridade

Afagou tantas feridas nesta vida
Nutrindo o indivíduo e sua alma
Levando a paz de espírito e a calma
Aquele, com a forma, quase consumida

No ergástulo*** de vidas a soluçar
De dor e amargura já vencidas
Levava o consolo para aplacar

Uma a uma, chagas d’almas carcomidas
Vigorando-lhe a emoção de par em par
Levando amor e carinho a suas vidas.

* que faz milagres
** obscurecido; nas trevas
*** Cárcere; masmorra

São Paulo, 02 de outubro de 2008
Armando A. C. Garcia


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Serenidade (Soneto)

Serenidade

No santo manto da serenidade
Não cedas ao vislumbre da ilusão
A fé e os milagres da eternidade
Residam sempre em teu coração

Serenidade é paz tranqüilidade
É compartilhar calmas emoções
A ternura, o carinho, a saudade
Palavras de afeto e amizade

Serenidade é viver, ser feliz
Apagar a volúpia que consome
Ser do amor um eterno aprendiz

Ser real como o tempo, a noite e o dia
É repartir o pão com quem tem fome
Esta, a serenidade que eu queria !

São Paulo, 17/09/2009
Armando A. C. Garcia 


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SERÁ !... (Soneto)

SERÁ ! ...

Pé ante pé, com o coração partido
Fui até ti, para dar à vida outro sentido
Porém, ignoraste, será que pensaste
Está velho... não passa de um traste!...

E sem resposta afirmativa ou negativa
Continuas lado a lado em minha vida
Mal suportas a presença indefinida
Aguardando o despojo da partida

Aquilo que foi amor, forte paixão
Hoje virou vida sem definição
Perdidos os sentimentos de carinho

Segues hoje a trilha de outro caminho
E eu, sofro o amargor do teu desprezo
Até o dia em que feliz parta coeso

São Paulo, 25/04/2005
Armando A C. Garcia


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