Bem vindo à Brisa da Poesia!

Espargindo fragrância nas mal dedilhadas letras, levo até vocês, uma amostra tecida no rude tear da minha poesia! Espero que o pensamento exteriorizado nos meus versos leve até vocês momentos de deleite e emoção!
Abraços poéticos, Armando A. C. Garcia
São Paulo, 06/08/2011

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A Menina Pobre (infantil)

A Menina Pobre   (infantil)


Tinha uma linda menina
Era pobre, muito pobre
Quando orava a coitadinha
Tinha sempre um gesto nobre

Pedia aos anjos e a Deus
Por um trabalho melhor
Para que, assim os seus
Tivessem salário maior

Quem sabe assim poderia
Deixar a fome de lado
E comer quando queria
O pão, que hoje é minguado

Cansada de passar fome
A pobrezinha orava.
- A dor da fome a consome
Mas sempre a Deus suplicava

Chegou até a pensar
Que Deus não a escutava.
- Seria pra desanimar,
Mesmo assim, ela orava

Até que seu pai um dia
Chegou em casa contente
Subiu no emprego dizia
Passou a ser o gerente

A menina radiante
Não se esqueceu do Senhor
Foi dali, dali em diante
Que orou com mais fervor.

Porangaba, 29/05/2013
Armando A. C. Garcia

Distantes da realidade

Distantes da realidade


Sonhos, sonhados em vão
Os sonhos que já sonhei
Foram minha perdição
Já que nunca os alcancei

Dizem que a vida é um sonho
Por isso nunca acordei.
Se é um sonho, é medonho
Tormentos mil, eu passei

Foram sonhos, foram sonhos
Os que sempre alimentei
Em vez de serem risonhos
De tristeza, os que passei

Foram dias de amargura
Que nos sonhos não divisei,
Dias de mágoa e agrura
Sem transigir suportei

Sonhos, sonhados em vão
Distantes da realidade
Machucaram o coração
Ao final, deixam saudade

Se por vontade de Deus
Que este destino traçou
Choraram os olhos meus
A minha lágrima secou

Hoje, tudo isso acabou
Até os sonhos findaram
Tal a lágrima que secou
Só, esperanças restaram

Porangaba, 30/05/2013
Armando A. C. Garcia



Vileza

Vileza

Seu coração trespassado
Pela dor que lhe causou
Saber que tinha a seu lado
Quem sua honra injuriou

Ninguém possa por paixão,
Condoer-se da fraqueza
É culpada e sem razão
Cometeu toda vileza

Tão grande foi a crueza
Que seu coração sangrou
Na mais profunda tristeza
- Para a morte se lançou !

A rodopiar no infinito
Sua alma condenou
E num suspiro *contrito
Aos pés de Jesus, orou.

O amor leva à loucura
E leva a vida pra morte
Numa reflexão escura
Desvia o rumo do norte

A vergonha encerra dor
Gela sangue e coração
E o sofrimento é maior
Diante da desilusão !
                                       *pesaroso, - não confundir com constrito
Porangaba, 30/05/2013
Armando A. C. Garcia



quarta-feira, 29 de maio de 2013

Caminhos do desalento

Caminhos do desalento



As profundezas da depressão sem trégua.
Se ultrapassadas perturbam a razão
Com teu amor, estarei liberto delas
E da solidão afastada a mais de légua

Regatei a plenitude de meu ser
Senti a sensação de felicidade
Longas as possibilidades de viver
Sem retornar a sentir necessidade

De calmantes pra controlar a ansiedade
Com teu amor,voltarei a ser o eu
Que sempre fui, na pura serenidade
Num sentimento de afeto que é só teu

Porangaba, 28/05/2013
Armando A. C. Garcia


terça-feira, 28 de maio de 2013

Que sina,

Que sina,

Que sina, que triste sina
Deus criou para os dois
Ela, sua concubina
Ele, o baião de dois

Ele, perdeu todas esperanças
Com elas, sua ilusão
Como já não são crianças
Melhor a separação

Tanta ventura sonhada
Virou pranto e desgosto
Que sina desventurada,
Marca de dor, em seu rosto

Amar, viver e ser feliz
Abandonar o vazio
Seria meta, diretriz
Bem longe do desvario

Todo amor tem o seu preço
Como o tem a sua dor
Sua sina, de insucesso
Vontades do Criador

Mudar-lhe a sorte impossível
Deambulam pensamentos
Ambos choram. É incrível...
-Suportar esses momentos.

Porangaba, 28/05/2013
Armando A. C. Garcia


Fado - Conheci do teu ciúme

Fado - Conheci do teu ciúme

Quis Deus para meu castigo
Conhecer do teu ciúme
Mulher, não sei se consigo
Aguentar o tal queixume

Sabendo que gosto de ti,
Porque tanto me persegues
Tu vais daqui, para ali
E respostas, não consegues

Já basta pra meu castigo
Esconder o teu passado
E compartilhar contigo
A desgraça do teu fado

Hoje, estou arrependido
Trazer-te para meu lado
Mais me valia ter sido
Pra bem longe degredado

A gente perde o juízo
Nos lábios de uma mulher
Basta ela dar um sorriso
Pra pensar que ela nos quer

Mulher, pouca compaixão
Tu tens do tempo passado,
Tem de ti comiseração
Se queres ficar a meu lado !

Porangaba, 28/05/2013
Armando A. C. Garcia

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Tropel de ternura

Tropel de ternura



Tropel de ternura cheio de carência
Sigo perdido na madrugada fria
Caminhando por entre cardos e silvas
Persigo meu fado na sombra sombria
E por tudo que hei sofrido, as madressilvas
Decidiram ornar minha imprevidiência

Alcatifaram risonhas, novos rumos
Minha asa, minha casa, meu amigo
A nuvem negra, a maré brava se afastou
Meu sonho arrependido, foi um castigo
Que pra bem longe de ti me apartou
O tropel de carência... é folha de resumos !


Porangaba, 27/05/2013
Armando A. C. Garcia



Correnteza em desalinho

Correnteza em desalinho

Oh! Saudade ! Oh! Ansiedade
Na correnteza em desalinho.
Na pipa; provando o vinho
Oh! Lembrança da mocidade

Minha terra de ar puro e sol
Lembrei-me de ti, como mãe,
A terra onde gera, o é também
Terra, onde trina o rouxinol

O alecrim e rosmaninho
Nascem e crescem sozinhos
Oh! que saudades do caminho
Que levava às minhas vinhas

Quando subia nas muralhas
Sentia-me qual dono do mundo
E num sentimento profundo
Das ameias via a batalha

Batalha de sonhos perdidos
Neste mundo, pura ilusão
Meus sonhos foram preteridos
Deles, restou a dor da paixão

Quando batem as saudades
Não há defensivo possível
Há desejos, há densidades
A avolumar o inconcebível

Lembrei de ti, segunda mãe
Terra querida e venerada 
Onde nasci, cresci também
Hoje, pela distância separada

Destino, ou vontade de Deus
De ti, fui pra sempre afastado
Espero que um dia lá dos céus
Eu possa estar mais a teu lado!

Quando digo que tu me intentas
A pensar em ti, tanto e quanto
Porque será que não me isentas
Desta saudade que eu pranto ?

Porangaba, 26/05/2013
Armando A. C. Garcia

sábado, 25 de maio de 2013

Colonização de Marte...

Colonização de Marte...


Há que considerar os tempos mudando
Remígios do condor rasgam os céus
O homem.  Noutro planeta está criando
Um novo mundo, como se fora Deus

Mas, inconsideradamente, é um menino
Imprudente, precipitado, num lugar perdido
Não há percurso sem caminho. Destino
Não acende estrelas com a mão, ungido.

Só a Ele, cabe o puro gesto, caminho
Na força do céu, na montanha e mar
Para qualquer lado é taça de vinho

Que a mágoa da vida nos faz tomar
Grito liberto, cheiro de rosmaninho
Distância e saudade do verbo amar !

Porangaba, 25/05/2013
Armando A. C. Garcia



O NOVO MUNDO

O NOVO MUNDO 

Os caminhos do Atlântico 


Enfrentar o incomensurável oceano 
Seguindo caminhos que ninguém ousara, 
Por roteiros nunca antes navegados 
O intrépido, povo nauta lusitano 
Dando impulso à aventura desbravara 
Reprimindo medos e temores ignorados 

O movimento da conquista dos mares 
Caminhos até então impossíveis trilhar 
Por mares escarpelados e agitados, 
Que só afinada prática de anos no mar 
E uma acurada leitura estelar 
Somada à destreza e instrumentos usados 

Orientados pela bússola e o astrolábio 
Os guiou singrando os mares desconhecidos 
Envolvidos pelo espírito das cruzadas 
Milagrosamente quis o destino sábio 
Sucesso na missão, nautas destemidos 
A expansão ganhou forças redobradas 

Finalmente enfrentando o longo mar 
Navegando nele por mais de um mês 
Seiscentas e sessenta léguas percorrer 
Avistaram algas abundantes sem par 
Sinais de terra a quatro milhas talvez 
Sua esperança se fez rejuvenescer 


A Descoberta 


Frente a frente, abriram-se novos horizontes, 
Quando aos vinte e dois de abril de mil e quinhentos 
Avistaram um grande monte, alto e redondo 
Ao sul terra chã, e mais baixos montes 
Grandes arvoredos de espécies aos centos 
E aí as naus ancoraram, não se expondo. 

E amainando as velas desembarcaram 
Na terra que chamaram Vera Cruz 
Na praia, nativos nus, eles avistaram 
E com prudência redobrada lhes falaram 
Por sinais, um sombreiro e um capuz 
Que no primeiro contato lhes jogaram 

Ao que um deles retribuindo a oferta 
Arremessou um penacho de papagaio 
E assim recebidos em paz aguardaram 
Novo dia p’ra pisar terra descoberta 
Onde nativos nus, impávidos como raio 
Ocultar suas vergonhas, jamais pensaram 

Sem fé, sem lei, sem rei, esse povo era assim 
Entre eles não tinham bens particulares 
Moravam em cabanas muito grandes 
Tudo era comum em seu viver alfim 
Cada um senhor de si, de seus polegares 
Não conheciam o ferro, nem flandres 

Foi aí então, que dois mundos separados 
Por séculos... milênios se encontraram 
O pré-histórico e o mundo civilizado 
Perante o futuro ali foram marcados 
Os primeiros sinais que ao mundo levaram 
O conhecimento de um povo ignorado 



A TERRA DE SANTA CRUZ 
E a Pré-Colonização 


Aquilo que uma ilha lhes parecia ser 
Era quase um continente em extensão 
De exuberante fauna e densa flora 
Com espécies desconhecidas a crescer 
A cada caminhada, a cada exploração 
Como nunca tinham visto até outrora 

Terra descoberta de índios povoada 
De Jês, Caraíbas, Aruaques e Tupis 
Frondosos rios, cachoeiras e cascatas 
Era terra muito fértil se plantada 
No sub solo ouro, prata e rubis 
Riquezas conhecidas, frondosas matas 

Somente o extrativismo do pau-brasil 
Foi a princípio o achado primordial 
A extração e o embarque da madeira 
Eram pagas aos índios com preço vil 
Através de bugigangas, et cetera e tal 
E o escambo era a moeda costeira 

Os termos do o Tratado de Tordesilhas 
Os franceses não reconheciam válido 
E grupos de corsários diretamente 
Enchiam embarcações até às escotilhas 
Negociado com os índios a valor esquálido 
Prejudicando os lusitanos certamente 

O que levou a Coroa portuguesa 
Em mil quinhentos e dois a terras arrendar 
A comerciantes como Fernando de Noronha 
Em troca de benfeitorias à realeza 
Para explorar pau-brasil e negociar 
Parte do lucro que o arrendatário sonha 

As incursões freqüentes dos franceses 
E outros europeus à terra descoberta 
Levou o Reino de Portugal a organizar 
Expedições para expulsar maus fregueses 
Insuficientes ao que a cobiça desperta 
E só a destemida esperança os fez parar 



DEGREDADOS E SOBREVIVENTES DE NAUFRÁGIOS 

A Colonização Acidental 


Diogo Alves Correia na Bahia naufragou 
Em mil quinhentos e dez, ali ficou perdido 
Casou com a filha do maior chefe guerreiro 
Teve filhos e outras mulheres esposou 
Pelos Tupinambás muito querido 
Se à valentia da morte foi herdeiro 

João Ramalho no litoral de São Vicente 
Deu mostras iguais de força e valentia 
Casou com Bartira, filha de guerreiro 
Muitas concubinas, índias certamente 
Jamais podia mostrar fraqueza e cobardia 
Perigo não assusta o velho marinheiro 

E milhares de degredados portugueses 
Aos sobreviventes de naufrágio somados 
Facilitaram a defesa e a ocupação 
E uma integração sem elmos e arneses 
E às condições dos índios adaptados 
Os jesuítas deram início à missão. 



A Escravidão Indígena 


O que seria a conquista espiritual 
Tornou-se desde logo escravidão 
Impondo ao povo índio a tortura 
Pela violência, matança sem igual 
Ao invés da prometida salvação 
Deram ao povo a canga e o timão 

Constrangendo comunidades inteiras 
A entregar parcelas de sua produção 
Prestar serviços temporários gratuitos 
Foram estas as exigências estrangeiras 
Impostas aos donos da sua própria nação 
Sufocando pela espada os seus gritos 

Os passos dos primeiros brasileiros 
Foram assim cruéis e tenebrosos. 
Racionais e bem mais organizados 
Impunham-lhes sacrifícios verdadeiros 
Atrocidades e ardis pavorosos 
Donos da nação foram escravizados 

E aos poucos os povos primitivos 
Iam sendo expulsos ou dizimados 
Da terra descoberta e explorada 
Passando por intrusos os nativos 
Das terras iam sendo desapossados 
O vilão de tudo se enaltece na tomada 

Em nome do cristo pilhavam inocentes 
Conspurcando toda dignidade humana 
Com o uso de atrocidades selváticas 
Procedimentos que são tão intolerantes 
Quanto o incesto e a sodomia na cabana 
O canibalismo, e todas suas práticas 

As violências cruéis executadas 
Com matanças, incêndios e escravidão 
Reduzindo povos livres à dependência 
Praticados por pessoas civilizadas 
Demonstra terem menos evolução 
Do que os índios que imploravam clemência 

E assim, a gente a que se referiu Caminha 
De santa inocência, segundo as aparências 
Teve transformada a sua simplicidade 
Porque a obra dos cristão foi tão mesquinha 
Derramando ódio, semeando violências 
Como tem feito ao longo da humanidade 

Levou os índios em sua auto defesa 
A passarem a ser cruéis e sanguinários 
Porém, não tanto como os dominadores 
Que os perseguiam com tanta safadeza 
Que se mais houvesse mais seriam 
Sacrificados em nome dos valores 

Das grandes qualidades e da moral 
E por ser fraca a força dessa gente 
Impunham regras para eles desconhecidas 
Como se seu viver não fosse natural. 
E com a lança e a espada, geralmente 
Faziam as suas leis serem cumpridas 

A busca de metais preciosos, ouro e prata 
Riquezas mil, diamantes e esmeraldas 
E a mão de obra dos senhores de engenho 
Intensificou-se na escravidão pirata. 
A bandeira que foi luz já não desfralda 
E o timão que os guiou, passou a lenho. 


O ciclo do ouro 


E aquilo que uma ilha parecia ser 
Era quase um continente em extensão 
De exuberante fauna e densa flora 
Com espécies desconhecidas a crescer 
A cada caminhada a cada exploração 
Como nunca tinham visto até outrora 

Rios e arvoredos em profusão 
Frondosas cachoeiras, lagos e cascatas 
Com a descoberta de ouro e diamantes 
No velho mundo, provocou repercussão 
Dois séculos após a exploração das matas 
O achado de riquezas importantes 

Homens e mulheres, uns novos, outros velhos, 
Plebeus e nobres, fazendo fuxicos 
Clérigos e religiosos de várias seitas 
Na terra descoberta meteram o bedelho 
Pois todos queriam fortuna, ser ricos 
O caminho das minas, doses perfeitas 

A busca do ouro a desordem gerou 
Quando no ano de mil setecentos e dez 
Mil paulistas tentavam precaver-se 
De setenta mil forasteiros. Fracassou 
porque a coroa sem controle de lés-a-lés 
Temendo sua opulência não os apoiou 

Como resultado das crescentes desavenças 
Ocorreu a dita Guerra dos Emboabas. 
Mas de lavra em lavra, barranca em barranca 
Os garimpeiros paulistas sem licenças 
Na busca de outros campos, outras tabas 
Buscaram jazidas, onde a lei é franca 

Formavam uma população errante, 
Que se deslocava ciganamente 
Em busca do ouro aluvial ou de minas 
Outros, levaram a pecuária adiante 
Na vontade que o costume lhe consente 
Se a tanto ajudassem prados e campinas 


Escravidão no Brasil 


Na primeira metade do século XVI 
Teve início no Brasil a escravidão 
Por navios negreiros conduzidos 
Para mão-de-obra escrava dos coronéis 
Nos engenhos de açúcar em servidão 
Os negros da África eram trazidos 

Na cana de açúcar ou minas de ouro 
Tinham de trabalhar de sol a sol 
Com alimentação de baixa qualidade 
Recolhidos nas senzalas com desdouro 
Acorrentados desde a noite ao arrebol 
Seus senhores deles não tinham piedade 

Mil castigos ainda lhe eram infligidos 
Sendo o açoite entre eles o mais usado 
Amarrados ao lenho eram chicoteados 
Até ficarem prostrados, desfalecidos 
Como se seu amo fosse recompensado 
Por seus desatinos banais e impensados 

As restrições eram tantas e tamanhas 
Que mesmo apesar de acorrentados fugiam 
Das sevícias continuas e desumanas 
E aos poucos em inédita façanha 
Criaram quilombos onde se protegiam 
E onde a liberdade tinha forma humana 

Foi na metade do século XIX 
Os Ingleses, tanto tráfico haviam feito 
Passaram a contestar a escravidão 
Ditando lei que aprisionar aprove 
Navio nessa prática ao mar afeito 
Carregue em seus porões, dita nação 

Só em mil oitocentos e cinqüenta o Brasil 
Pôs fim ao ignóbil tráfico negreiro 
Para vinte e um anos depois aprovar 
A Lei do Ventre Livre com o perfil 
Da liberdade. Foi o pendão pioneiro 
Que a Lei Áurea acabou por expressar 


TIRADENTES 


O apagar das luzes do século XVIII 
Com o esgotamento das minas a Coroa 
Ávida na cobrança de impostos, instituiu 
A Derrama que consistia pelo intróito 
Cobrar de cada um com força de leoa 
Uma quota d’ouro que suado auferiu 

A Casa da Fundição foi reprimida 
Tal punição, foi violência acesa 
Quando morto seu líder Felipe Santos 
A repressão à liberdade foi vencida 
Pela influência da Revolução Francesa 
Criou o desejo de liberdade, entre tantos 

Surgiu um movimento pela liberdade 
Na busca de igualdade e conhecimento 
Sob o signo: “Liberdade ainda que tardia” 
E no auge da expansão e densidade 
Por um traidor, foi delatado o movimento 
Em troca do perdão por tudo que devia 

Joaquim Silvério dos Reis, era seu nome 
Que levou à forca e ao esquartejamento 
O alferes Joaquim José da Silva Xavier 
A cabeça decepada até que o tempo consome 
Fixada num poste, em puro atrevimento 
Em plena Vila Rica, para estremecer 

O anseio de liberdade e de igualdade 
Que o pensamento filosófico Francês 
Face à Revolução recente, acontecida 
Influenciou esse grupo por liberdade 
Clamando contra o domínio português 
Que sufocado teve a chama extinguida 

Dom JOSÉ I 
A era do Marquês de Pombal 


Em 1750, morre Dom João V, 
Aquele que por fausto, luxo e poderio 
Ao rei francês Luis XIV comparado 
Deixa o reino em grave crise, faminto 
De ouro e diamantes o cofre vazio 
Tesouro que d’colônia havia transportado 

Sucede-o Dom José I, bragantino 
Que para o cargo de secretário de estado 
Escolhe Sebastião José de C. e Melo 
Marquês de Pombal por força do destino, 
Para superar dificuldades do estado 
E reerguer o combalido reino, com zelo. 

Incentivou o comércio e a agricultura 
‘streitou relações com a colônia Brasil 
Capitanias hereditárias extinguiu 
Ao desvio d’ouro e diamantes, linha dura 
Enérgico e cruel, era seu perfil 
Os Jesuítas de cá e de lá baniu 

Transferiu a capital de Salvador 
Para São Sebastião do Rio de Janeiro 
Criou no Rio, o Tribunal da Relação 
De companhias de comércio, ordenador 
Adotou medidas em que foi o pioneiro 
A controlar as jazidas e extração. 

Em 1755, um terremoto 
Arrasou toda a cidade de Lisboa 
Na reconstrução imprimiu sua marca 
E quando o povo ficou sem um proto, 
2,5 milhões de toneladas de ouro amontoa 
Milhões d’quilates de diamantes tira d’arca 

E cheio de energia e dinamismo 
Lisboa inteira a seus pés reconstrói 
Dois anos após, falece Dom José I 
Assume Dona Maria, sem civismo 
Pela doença que sua mente corrói, 
E aí o Marquês, foi o imolado cordeiro... 


A Corte Portuguesa no Rio de Janeiro (1808-1821) 
D. JOÃO VI 



Aos 10 de fevereiro de 1792 
Assume regência em nome de sua mãe 
Dona Maria, em razão da doença 
Em nome próprio, sete anos depois. 
No ano sete, do século XIX, vem 
A ameaça de invasão francesa, pretensa 

Pois com o advento da Revolução Francesa 
Uma luta contra os países absolutistas 
Tinha iniciado e sentiam-se ameaçados 
Por isso a vinda da coroa Portuguesa 
Fugia às sanhas de Napoleão imprevistas 
E ao Bloqueio Continental criados 

Assim, às pressas nesse final de ano 
Uma esquadra composta de oito naus 
Três fragatas, vinte navios mercantes 
Zarpa rumo ao Brasil cruzando o oceano 
Acomodando quinze mil pessoas no caos 
Aportaram em Salvador os viajantes 

Com pulgas, piolhos, imundos e fedidos 
Chegando um mês depois ao Rio de Janeiro 
Final da travessia, do sofrimento 
A corte se instala em prédios cedidos 
Por ordem de lei determinando, primeiro 
Dar o segundo bem aos migrantes sem assento. 

Dom João, logo após aportar na Bahia 
Assinou a Carta Régia abrindo os portos 
Revogou a proibição de manufaturas 
Abre tecelagens p’ra crescer a economia 
Criou o Banco do Brasil e outros confortos 
Oferecendo ao Brasil novas estruturas 

Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves 
Elevou. para, com a morte da rainha 
Em mil, oitocentos e dezesseis, suceder-lhe 
Com o título Dom João VI, sem adarves. 
No Rio, foi coroado como convinha 
E uma soberana nação, prover-lhe 

A revolta de Pernambuco enfrentou. 
Em 1821, regressou a Portugal, 
P’ra acalmar ânimos dos reinóis indignados 
Dom Pedro regente do Brasil nomeou 
Passando a nação soberana. A antes colonial 
Promovendo também importantes tratados. 

Independência do Brasil 

7 de setembro de 1822 


O fato histórico de maior relevância 
É o que marca a Independência do Brasil, 
Não só pela conquista política 
Como também pela grande importância 
De marcar o fim do domínio servil 
Ao governo que Tiradentes fez crítica. 

O príncipe D. Pedro, teve sondado acesso 
A fim de conquistar e obter sua adesão 
À nobre causa para o poder da nação 
E ao receber carta exigindo o regresso 
Abolindo a regência, às Cortes disse não 
Permanecer no Brasil, foi sua decisão 

Assim a nove de janeiro de 1822, 
Por um Brasil independente pronunciou... 
- Se é para o bem de todos e felicidade 
Geral da nação, diga ao povo que “Fico” 
Nesta decisão, José Bonifácio se destacou 
Quando a paz é almejada, há liberdade 

Tomou medidas que desagradaram Sua Alteza 
E à metrópole, pelo caminho que trilhava 
À independência. Organizando a Marinha de Guerra 
Repatriando todas as tropas portuguesas 
E uma Assembléia Constituinte convocava 
E que, sem o “cumpra-se” toda a lei caia por terra 

Voltava de Santos, quando chegou ao Ipiranga 
Paulo Bregaro correspondia lhe trazia 
Dom Pedro agoniado por uma disenteria 
Ao Padre Belchior pediu ler as cartas, de tanga 
E tremendo de raiva, de volta as pedia 
Pisou-as no chão e um grito se ouviu 

Era sete de setembro a independência proclamou 
Às margens do riacho do Ipiranga, oh! Céus ! 
Fazia um sol de verão, o céu cor de anil 
O Príncipe desembainhou a espada e gritou 
- Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, 
juro fazer a liberdade do Brasil” 

A história diz que levantou a espada e gritou 
- “Independência ou morte”, dístico de ouro 
Que mandou seu ourives Lessa fazer 
Numa fita verde a amarela o colocou 
No braço, indo ao espetáculo sem desdouro 
Quando foi chamado rei do Brasil, sem ser. 

Primeiro Reinado (1822-1831) 
D. PEDRO I 


A Constituição de 1824 
E o predomínio do Partido Português 
E a oposição ao autoritarismo 
Geraram momento crise, o retrato 
Atrelado à baixa do preço dos cafés 
Levou o Governo Imperial a um abismo 

O liberalismo era oposto ao mercantilismo 
Praticado pelos Estados absolutistas 
E favoráveis à redução do poder 
Dividindo em três esferas de civismo 
Executivo, Legislativo e Judiciário 
Na esperança de um equilíbrio obter. 

Agravando a crise, em mil, oitocentos e vinte e cinco 
Eclodiu a Guerra Cisplatina e a perda 
Da província e a independência do Uruguai 
O conflito durou três anos com afinco 
Até que a tropa já cansada e lerda 
Reconhecendo a independência sai 

Deixando o governo mais enfraquecido 
A insatisfação com os gastos militares 
Desgaste aliado à outorga da lei maior 
Ao grandioso empréstimo contraído 
O Banco do Brasil indo pelos ares, 
Fez crescer a oposição ao Imperador 

E querer conservar o Poder Moderador 
Gerou em seu reinado sérios conflitos 
Agravada pelo problema financeiro 
Minaram a popularidade do Imperador 
Não conseguindo reverter estes atritos 
Abdicou ao trono, do reinado primeiro. 


Período Regencial 
(1831 - 1840) 

A abdicação de Dom Pedro criou um vazio 
A nação continuou mergulhada no caos 
Aumentando a incerteza quanto ao futuro 
A disputa pelo poder. Verdadeiro desafio 
Os ânimos se acirraram em todos os degraus 
Foi para todos envolvidos um apuro 

Os integrantes do partido brasileiro 
Eram os moderados favoráveis às reformas 
E os restauradores partidários a D. Pedro 
Do partido português o escudeiro 
E os liberais radicais de outras formas 
Chamados farroupilhas, contra Pedro. 

O agravamento da situação econômica 
E o anseio de uma maior participação 
Das camadas popular e da classe média 
Duas correntes em disputa gnómica 
Aristocracia rural em oposição 
Aos liberais exaltados querendo a rédea 

do poder. Eles que haviam-se aliado 
Para derrubar D. Pedro do poder 
Lutavam agora entre si, decepcionados 
Ante a impossibilidade do fim colimado 
Três as tendências políticas, a saber: 
Restauradores, liberais e moderados 

Nesse quadro de agitações políticas 
Organizar o Governo era imperioso 
De lês a lês, o clima era de agitação 
Explodiam conflitos, sobravam criticas 
Aguardando Pedro de Alcântara, majestoso 
Atingir a maior idade e/ou emancipação 

Neste período uma Regência Provisória 
De setenta dias sua curta duração 
Outra, com Bonifácio, a Trina Permanente 
Por acerca de quatro anos na história 
Quase cinco a Una, até à emancipação 
Com Feijó e Araújo Lima à sua frente 




Segundo Reinado (1840-1889) 
D. PEDRO II 



O período regencial que se prolongou 
Por toda a década de mil, oitocentos e trinta 
Foi uma das fases mais conturbadas da história 
Que a unidade do império feriu e ameaçou 
De tal forma que minha exposição sucinta 
Não permite os detalhes de toda a trajetória 

A ponto de introduzir o Ato Adicional 
À Lei Maior para fortalecer o poder 
Dando às províncias um mínimo de autonomia 
Para não impor repto ao poder central 
Como a revolução farroupilha em vigor 
Criando a República Piratini, logo extinta 

O movimento farroupilha Laguna,alcançou 
No ano de mil, novecentos e trinta e nove 
Onde instalou a República Juliana. 
As tropas legais que Caxias comandou 
Impôs derrotas nas batalhas que promove 
O ponto final na guerrilha desumana 

Havia ao mesmo tempo outras insurreições 
A Cabanagem, luta entre Rio Negro 
E Grão-Pará, atual Amazonas 
Desejando de Belém separações. 
Outra, a Baialada e, se todo esforço emprego 
No Maranhão uma das vis intentonas. 

Por grupo que se opunha ao Ato Adicional. 
Outra insurreição chamada Sabinada 
Ocorria em Salvador e Feira de Santana 
Defendia a autonomia provincial 
Querendo impor naquela situação gerada 
Um governo de tendência republicana. 

E foi entre as agitações políticas e sociais 
E o perigo da divisão territorial 
Que em junho de mil, oitocentos e quarenta 
A antecipação da maioridade pelos liberais 
Consta apreciação da Câmara em seus anais 
Com menos de quinze anos, liberto da placenta 

E assim, subiu ao trono Dom Pedro II, 
Na esperança de agregar todas as tendências 
Em torno do jovem, o novo Imperador. 
Foi criado um ministério que a fundo 
Governava tal qual, como nas regências 
Face à prematura idade do Imperador 

Os irmãos Andradas e os Cavalcanti 
Formavam o novo gabinete imperial 
Seu partido de Liberal, só tinha o nome 
Era discricionário, predominante 
O cacete, era o regime eleitoral 
Nas eleições realizadas seu cognome 

Os partidos Conservador e Liberal 
Tanto um como o outro eram integrados 
Pelos grandes proprietários escravistas 
Cujo interesse recíproco unilateral 
Era antidemocrático e irracional 
Imotivado de idéias progressistas 

Entre ambos, não havia diferenças profundas 
Já que as duas correntes concordavam 
Manter a monarquia e o regime servil 
E apesar de tamanhas barafundas 
Liberais e Conservadores se revezavam 
Na presidência dos ministros do Brasil. 

O ministério mais eficaz da monarquia 
E o que mais consolidou a política 
Centralizadora, foi o de Olinda 
Aquele que o tráfico negreiro suspendia 
Com lei que impôs ao tráfico, malgrado a critica 
A monocultura cafeeira florescia. 

Nesse mesmo ano de mil, oitocentos e cinqüenta 
Nosso Código Comercial foi promulgado, 
Vigorando até hoje em nossos Tribunais 
Neste reinado, novo horizonte se apresenta 
Dois anos depois o telégrafo instalado 
Em seguida a primeira estrada de ferro brasileira 

Um novo horizonte se descortinou neste reinado 
Com a extinção do tráfico o fluxo de capital 
Passou a ter outra demanda na economia 
Em atividades financeiras e de mercado 
Acentuado aumento na produção industrial 
Com a aplicação dos recursos sem tirania 

Dir-se-ia que um novo país despontava 
Mas mesmo assim, os conchavos e intrigas 
Fomentavam sob influência da facção áulica 
Face à supressão do tráfico iniciada 
As aguerridas oposições inimigas 
Despontavam nos deputados a futrica 

A razão era simples, toda a economia 
Desde a época colonial estava pautada 
No trabalho escravo e deste prescindia 
Só a Lei Euzébio de Queiroz reprimiria 
O tráfico negreiro, no clamor duma virada 
Entre conservadores e progressistas 

Após o malogrado gabinete Zacarias 
No segundo, impondo ares de moral e justiça 
Aposentou velhos ministros da alta corte. 
Pela abolição gradual da escravatura 
A situação se agrava e incita a guerra 
No Uruguai, prelúdio da do Paraguai 

Estendeu-se a monocultura cafeeira, 
Do vale do Paraíba ao Rio e Minas, 
Mas a florescente lavoura prescindia 
Da mão de obra escrava e costumeira 
Gerou insurreição, a quebra de rotinas 
Em lutas partidárias, repúdio maior 

À monarquia.; em prol d’idéias liberais 
Que varriam a Europa no século XIX 
A favor da república e reforma total 
Num Manifesto, que se opunha aos reais 
poderes pessoais do Imperador, remove 
Sob os efeitos da guerra do Paraguai 

Aos 3 de dezembro de 1870 é publicado 
O manifesto de mudança republicano 
De não pela resolução, mas pela evolução 
O ministério São Vicente é derrubado 
pelos liberais. Mas a situação decano 
Com Rio Banco manteve a mesma situação 

Em maio de 1875, quando era 
Vista a situação em franco progresso 
Deteriora-se com a crise bancária 
Uma terrível seca, grave e mortífera 
Com perdas de homens, recursos e preços 
Impelindo os nordestinos a outra área 

Evidentes sinais que chegava ao fim. 
A crise prolonga-se até 1886 
Quando em Londres o país faz empréstimos 
Porém, já tarde de mais para o festim 
O prestígio do monarca começa a declinar 
Com acirradas críticas aos seus préstimos. 

Na última década do governo de Pedro II 
O poder monárquico teve dez governos 
Com pontos de vista diversos ou opostos 
E houve quatro legislaturas no período 
As três primeiras autorizavam nada menos 
Que dissolver a câmara. A quarta perdia posto 

Impedida pela implantação da república. 
Nos dois últimos anos que a antecederia, 
Ficou o Imperador gravemente doente 
Embarca para a Europa deixando pública 
Na regência a princesa Isabel, assumia 
Decretou a Lei Áurea, escravidão não consente 

A situação, passada a onda de euforia 
Ganha corpo a campanha republicana 
Medo do reinado da princesa e Conde d’Eu 
O prenúncio do terceiro Reinado, seria. 
Com a ausência de Dom Pedro sobe a gana 
Dos que se batem contra o emperro do regime. 

Aos vinte e dois de agosto de 1888 
Regressa D. Pedro II da Europa 
E é recebido sob acolhida triunfal 
Calorosa manifestação, o povo afoito 
Dava mostras de fidelidade e toda tropa 
Mostrava adesão e aplausos sem igual 

Dom Pedro não era mais o mesmo homem 
Cioso de seu poder e diligente 
Como sempre foi antes de adoecer 
Por sua vez a libertação dos escravos 
Gerou insatisfação nos fazendeiros 
Os militares também estavam descontentes 

A supremacia do poder civil ao militar 
A oficialidade não via com bons olhos 
Os primeiros sinais foram as punições 
Aplicadas ao coronel Alexandre Vilar 
Em seguida ao tenente–coronel Madureira 
E ao coronel Ernesto Cunha Matos 

Esse reflexo gera mal-estar e o senado 
Em manifesto do Visconde de Pelotas 
E do Marechal Manuel Deodoro da Fonseca 
Exprimem desapontamento, dão o recado 
E mostras da força do exército em suas botas 
E o Clube Militar ficou levado da breca 

No ministério Visconde de Ouro Preto 
Novos incidentes entre militares e governo 
Acusando aqueles de insubordinação 
E de incidente em incidente chega outubro 
Quando se iniciaram as articulações 
Entre militares descontentes e republicanos 

A exaltação militar expandia-se 
Nada os intimidava o desafio lançado 
Benjamin Constant procura atrair 
Deodoro, para o golpe finalizar-se 
Presidente do Clube Militar a seu lado 
O grosso da tropa poderiam atrair 

Foram recebidos por Deodoro em sua casa 
Quintino Bocaiúva, Francisco Glicério, 
Aristides Lobo e também Rui Barbosa 
Deodoro mostrou-se esquivo e reservado 
Por derradeiro, acabou levando a sério 
Na revolta sua missão seria a militar 

E, assim, quatro dias depois o exército 
Aos 15 de novembro de 1889 
Sob o comando de Deodoro da Fonseca 
Em nome daquele, da armada o do povo 
Pôs fim à monarquia e ao Império 
Com a proclamação da República 


Poesia em elaboração (até à república) 23/04/2007 

São Paulo, 14 de abril de 2006 
Armando A. C. Garcia 

E-mail: armandoacgarcia@superig.com.br