Bem vindo à Brisa da Poesia!

Espargindo fragrância nas mal dedilhadas letras, levo até vocês, uma amostra tecida no rude tear da minha poesia! Espero que o pensamento exteriorizado nos meus versos leve até vocês momentos de deleite e emoção!
Abraços poéticos, Armando A. C. Garcia
São Paulo, 06/08/2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O ESQUILO (Infantil)

O ESQUILO



Havia na floresta uma nogueira frondosa
Que atingida por um raio estava oca !
Um lindo esquilo, achou-a maravilhosa....
E se apressou em fazer dela a sua toca.

Construiu com folhas secas o seu ninho
No tronco oco, causado pela fagulha.
A nogueira deu-lhe morada; e o danadinho
Ainda enchia com os frutos sua tulha.

Passou ali a morar solitariamente,
Lugar calmo, sereno, tranqüilo
Ali passava os dias, feliz e contente
O pequeno, irrequieto e lindo esquilo

Quando saía à procura d’outra comida
Sempre trazia nas bolsas de sua boca,
Reforço da provisão que era recolhida
P’ra suportar o inverno em sua toca.

A comida estocada era bastante
E daria boa sobra certamente.
Não fosse o pedido que mais adiante
De seu compadre, que se dizia doente.

O inverno ainda mal se aproximava
Chegou seu compadre pedindo arrego!
Pois na primavera e verão que acabara,
Sua doença impediu-o de prover aconchego.

Condoído e, como o bom samaritano
Acolheu seu compadre, no novo ninho.
Prometendo no verão; em vil plano
Ajudar, nova estocagem, com carinho.

A provisão de grãos era abundante
Para um esquilo no inverno alimentar,
Com a chegada do compadre suplicante
De certo, haveria privação; ia faltar.

Na seca, a comida era escassa e distante
Não dava tempo, de mais arrecadar.
E por mais que tentasse ir adiante,
Sempre voltava, sem nada para guardar.

O inverno chegou úmido e frio
O compadre de comer até sarou
Comia sem parar e sem fastio....
Até que um dia a provisão acabou !

O anfitrião foi em busca de comida
Achou pouca, com que mal se alimentou.
Enquanto o compadre ficou na torcida
Dum lauto almoço, como nunca se privou.

Do dia seguinte, agastado pela fome,
Saiu, dizendo ir em busca de comida...
Chegou à noite não voltou, isto consome
O bom esquilo. que o acolheu e deu guarida.

Logo ao alvorecer, muito preocupado
Não cansou de procurar o seu compadre,
Correu, por dias a fio e, já cansado,
Ao passar perto da porta da comadre

Resolveu nela descansar ao fim do dia.
P’ra em seguida nova busca começar,
Lá chegando, chamou-a com alegria !
E pediu, para aquela noite ali passar.

A comadre disse logo, vamos subindo
A toca é sua e ainda há provisões.
Surpresa! A comadre, estava-a repartindo,
Com aquele que buscava em todas regiões.

Na toca da sua comadre, igual ele falou:
Que chegou o inverno e em razão da doença,
Estava sem provisões; Nada arrecadou,
Esta, condoída, acreditou na pretensa.

E como seu compadre, na toca o acolheu
Com ele, dividindo suas provisões.
Se o inverno for rigoroso, meu Deus!
Sujeitou-se a também, passar privações.

O compadre percebendo o engodo
Confabulou à comadre o que ocorria
Esta, ao ver que ajudava um preguiçoso...
No dia seguinte, o esquilo despedia.

Moral da história:

Socorrer os que induzem amargura,
Às vezes é sacrifício em vão!
É preciso analisar quem nos procura,
Antes de consultar o nobre coração.

São Paulo, 11 de agosto de 2004

Armando A. C. Garcia


E-mail: armandoacgarcia@superig.com.br  

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